<< November 2009 >>
Sun Mon Tue Wed Thu Fri Sat
01 02 03 04 05 06 07
08 09 10 11 12 13 14
15 16 17 18 19 20 21
22 23 24 25 26 27 28
29 30


If you want to be updated on this weblog Enter your email here:


rss feed

26.7.06
Tu

Renasce a sensação

– esperança? –
quando giro

na porta

a chave de casa

de que ouvirei o telefone

a qualquer momento.

Logo depois me lembro:

"É morto." –

ou como fosse.


Posted at 26.7.06 by eulirico
eu lirico. tu liricas?  

24.7.06
Escolha

Se eu fosse escolher alguém para odiar –

você.

Odiaria seu sorriso

seu jeito manso e amigável

sua pele e seu cheiro.

Odiaria as lembranças

sua invasão em meus sonhos

enquanto durmo

e acordada.

Odiaria seu senso de auto-preservação

seu estar-sempre-certo

sua irritação por minhas dúvidas

e sua incerteza repentina de amar.

Sim, odiaria principalmente

sua incerteza repentina de amar,

e sua irritação por minhas dúvidas

sobre o seu amor.

Odiaria sua incoerência

e sua tentativa de ser coerente.

Odiaria seus medos

e seu medo de expor seus medos.

Odiaria você

se pudesse escolher

odiar alguém –

você.


Posted at 24.7.06 by eulirico
eu lirico. tu liricas?  

18.7.06
Última Dança

Concede-me esta última dança

e te mostrarei como posso ser

cruel.

Alisarei teus cabelos

me aproximarei de teus lábios

te olharei nos olhos

minha mão descerá por tuas costas

sob tua couraça

sobre tua pele

e te apertarei

quando te arrepiares

e falaremos de tudo

do teu desprezo

do meu ódio

de como seremos

felizes para sempre

sem mais um toque

meu em ti

teu em mim.

Nesta última dança

– se ma concedes –

falaremos do tempo de nossos avós

do tempo nosso

das tolas promessas

que se repetirão

em nossos lábios

em ouvidos alheios

no tempo que ainda não é.

Falaremos de macarronada e sopas e temperos

e de como cozinho mal

e como aquela tua mania de esconder-se no sono

acabou com o humor

que tínhamos.

Desvelaremos infidelidades

nos sentiremos traídos

arranharei teu braço

morderás minha nuca

até sentires sangue.

E deixarei que escorra

enquanto dançamos

teu corpo grudado no meu

meu sangue em ti.

Mas n'algum momento

olharei para ti

e te verei

como és

sob a couraça

sob a capa

sob o quem-eras

que criei

que criaste

que emplastramos sobre a tua alma

e me olharás

e me verás

despida

nua

braços cingindo-te

e me lerás

dizendo-te

– Vai, se queres,

que não te quero metade.

E dançaremos

até que acabe a melodia.


Posted at 18.7.06 by eulirico
eu lirico. tu liricas?  

Previous Page